Já imaginou se você pudesse escolher poderosos cosméticos no seu próprio jardim?

A paisagista Beatriz de Santiago dá as dicas para você montar uma poderosa Horta da Beleza. Todas elas podem ser cultivadas em vasos ou jardineiras que cabem perfeitamente na sua varanda ou janela.
Inicialmente, para montar a sua horta da beleza, é necessário preparar o vaso corretamente, fazendo uma boa drenagem com um pouco de argila expandida, areia, terra adubada e substrato.
Todas as plantas devem pegar, no mínimo, 2 horas de sol diariamente.
Para proteger os nutrientes, o ideal é fazer o acabamento com casca de árvore no entorno do vasinho, e esteticamente, fica mais atraente, já que a terra não fica aparecendo.
O uso de fertilizante é importante para a saúde das plantas, assim, elas sempre estarão verdinhas e com flores. Os fertilizantes indicados são: 10-10-10 para a folhagem e o 4-14-08 para a floração.
Babosa - Foto de Evelyn Chu

Babosa – Foto de Evelyn Chu

Babosa ou Aloe vera – Para hidratar o rosto, corpo e cabelo

A Babosa ou Aloe vera pode ser cultivada em vasos e são plantas fáceis de cuidar, pois não gostam de muita água e são resistentes ao nosso clima. Deve ser irrigada duas vezes por semana. A Babosa, segundo historiadores, é tida como o grande segredo de beleza de Cleópatra, no Antigo Egito. Ela tem um gel dentro da folha que faz milagre! É super fácil retirar e armazenar esse gel.
Dica de beleza:
1 – Tire uma folha inteira de Babosa
2 – Lave com 2 gotas de detergente
3 – Tire os espinhos laterais com uma faca
4 – Retire a camada amarelada do gel
5 – Corte em cubinhos
6 – Enrole no papel filme
7 – Use 1 cubinho para hidratação facial
8 – Guarde o resto no congelador
Camomila - Foto de Mussklprozz

Camomila – Foto de Mussklprozz

Camomila – Descansa os olhos e clareia olheiras

Deve ser irrigada quatro vezes por semana.
Dica de beleza:
1 – Pegue 3 galinhos de camomila e coloque em 1 saquinho de pano
2 – Adicione 250 ml de água
3 – Deixe o saquinho de molho na água por 2 horas na geladeira
4 – Faça compressas varias vezes ao dia
5 – Não precisa enxaguar
Lavanda – Relaxante banho de lavanda
A lavanda é um poderoso calmante para o corpo. Você pode retirar alguns galhos da sua lavanda, misturar na água e depois é só jogar no corpo. Se você tiver uma banheira, é jogar dentro e deixar por 30 minutos. A planta é rústica e fácil de cuidar. Irrigue-a por 4 vezes na semana.
Alface – Loção de alface
A alface você pode ter na horta tanto para salada, como para cuidar da pele. Irrigue cinco vezes por semana.
Dica de Beleza
1 – Junte 3 folhas de alface água
2 – Das folhas, faça um chá com 300 ml de água
3 – Aplique o chá ainda morno no rosto, com ajuda de gaze ou disco de algodão
4 – Deixe agir por 20 minutos
Hortelã - Foto de Leo Bregula

Hortelã – Foto de Leo Bregula

Hortelã – Melhora a elasticidade

A hortelã é uma erva muito fácil de cuidar. Irrigue a hortelã cinco vezes por semana. Saiba mais sobre essa plantinha aqui.
Dica de Beleza
1 – Junte duas colheres de folhas frescas picadas de hortelã
2 – Ferva um copo de água e adicione a hortelã
3 – Deixe descansar por 30 minutos
4 – Aplique no rosto
5 – Não precisa enxaguar
Malva – Poderoso Emoliente
Além de cuidar da beleza, ela também é medicinal, agindo como um antisséptico. Irrigue a malva cinco vezes por semana. Faça um tônico facial com a planta.
Dica de Beleza
1 – Junte duas colheres de folhas frescas picadas de malva
2 – Ferva um copo de água e adicione a hortelã
3 – Deixe descansar por 30 minutos
4 – Aplique no rosto
5 – Não precisa enxaguar

Pimenta da Jamaica

Pimenta-da-Jamaica, uma especiaria de muitas utilidades nativa da América Central e ilhas do Caribe.

Árvore de porte pequeno podendo atingir até 10 metros nativa da América Central e ilhas do Caribe.  É planta de folhagem perene com aspecto bastante ornamental devido ao formato bastante compacto da copa. Suas folhas ao sofrerem qualquer atrito exalam um aroma bastante agradável e suas minúsculas flores também são perfumadas e melíferas. Seus frutos são pequenas bagas de coloração roxo-escuro com tamanho semelhante a uma ervilha que depois de secos tornam-se avermelhados apresentando um sabor misto de cravo-da-índia, canela e noz-moscada e devido a essa característica e conhecida mundialmente como “a planta de todas as especiarias”.
Suas folhas ainda têm outras utilidades, quando secas podem ser usadas para temperar alimentos como as folhas do Louro e na preparação de chás. As sementes moídas servem para aromatizar pudins, biscoitos, bolos, sopas, carnes e molhos.
Vale lembrar que seus frutos são bastante atrativos a pássaros e também é conhecida como allspice, poivre de la Jamaica, pimienta de jamaica, peppe della giammaica.
Luz: Pleno sol
Solos: Vários tipos de solos inclusive arenosos.
Clima: Tropical e subtropical.
Origem: América Central e ilhas do Caribe

Bene­fí­cios de saúde da Pimenta da Jamaica

Os bene­fí­cios de saúde do Óleo Essen­cial de Pimenta da Jamaica podem ser atribuí­dos às suas pro­priedades anestési­cas, antiox­i­dantes, anal­gési­cas, ant-sépticas, carmi­na­ti­vas, relax­antes, estim­u­lantes, rube­fa­cientes e tónicas.

EMPRESA FLUMINENSE DESENVOLVE POMADA ANTIBIÓTICA CONTRA A SUPERBACTÉRIA SARM

por Débora Motta
Uma pomada antibiótica, desenvolvida a partir de uma espécie de planta da Mata Atlântica ainda desconhecida, pode ser uma forte aliada contra infecções cutâneas pela superbactéria Sarm (Staphylococus aureus, resistente à meticilina), frequentemente associada às infecções hospitalares.
A substância química natural que confere ao produto propriedades medicinais é a aureociclina, que foi isolada de uma rara flor da Serra do Mar, de pétalas brancas e miolo amarelo (Kielmeyera aureovinosa), em testes realizados nos laboratórios da empresa fluminense Extracta Moléculas Naturais. Até o momento, ela tem se mostrado mais eficaz que seus concorrentes disponíveis no mercado farmacêutico, por sua baixa toxicidade e alta eficiência em destruir o germe.
De acordo com o coordenador do projeto e presidente da Extracta, o médico Antonio Paes de Carvalho, que também é professor titular do Instituto de Biofísica, do Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a nova espécie de planta foi descoberta em uma propriedade rural de São José do Vale do Rio Preto, na região serrana do estado, durante uma incursão do botânico Mario Gomes, a serviço da empresa.
Ela foi registrada em um grande banco de dados, que já reúne quase 12 mil exemplares de extratos de plantas da biodiversidade brasileira, com potencial para a fabricação de medicamentos.
“O banco de extratos da empresa é plenamente autorizado pelo Conselho de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente”, diz o pesquisador. “Cerca de 80% do acervo é de espécies coletadas nas matas fluminenses”, completa.
O projeto foi contemplado pela FAPERJ com o edital de Auxílio a Projetos de Inovação Tecnológica, depois que o estudo recebeu um apoio inicial da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Além de catalogar a nova espécie de planta, os pesquisadores da Extracta identificaram uma molécula nova, desconhecida da química, no complexo ativo do extrato da Kielmeyera aureovinosa.
“Trata-se de um produto com aplicação importante para a saúde pública, que até então não foi encontrado em outras áreas do País”, destaca Carvalho. Ele conta que, para chegar à droga inovadora, foi necessário testar diversas outras plantas.
“De 49 plantas que apresentavam algum potencial farmacêutico contra o Sarm, entre as catalogadas no banco de extratos da empresa, a Kielmeyera aureovinosa foi a que apresentou o melhor resultado”, relata.
Biodiversidade com potencial de cura

À frente da Extracta, o pesquisador Antonio Paes de Carvalho: aureociclina já tem propriedade intelectual

Atualmente, o projeto está na fase de testes pré-clínicos. “Estamos aguardando mais investimentos para prosseguir com os estudos e podermos chegar à etapa de ensaios clínicos, com voluntários saudáveis e, posteriormente, com pessoas infectadas com o Sarm. Essa fase precisa da autorização da Anvisa,”, conta Carvalho.

“Só a partir desse ponto, será possível viabilizar a entrada do produto no mercado”, pondera o pesquisador. A outra vertente da pesquisa é agroflorestal. “Estamos distribuindo mudas certificadas a três propriedades rurais na região serrana para impulsionar o cultivo da planta, que é a matéria-prima para a preparação do medicamento”, diz.
A escolha do pesquisador de trabalhar com a aureociclina na forma de pomada, e não na de comprimidos, que teriam impacto maior na indústria farmacêutica, deve-se a uma questão prática: custo e benefício.
“É cerca de 80 vezes mais barato investir na fabricação da pomada do que de comprimidos, o que também iria requerer testes mais sofisticados. Mas estamos abertos a essa ideia, se tivermos investimentos adequados no futuro”, compara Carvalho.
O desenvolvimento da pomada, contudo, promete ser um importante passo para cortar o mal pela raiz – ou melhor, pela porta de entrada da doença, que é a pele. “As infecções pela superbactéria Sarm começam pela pele. Elas costumam ocorrer em pacientes internados em hospitais e em pessoas que praticam esportes que requerem contato físico intenso”, detalha.
O produto inovador não pôde ser patenteado no País, mas teve um pedido de patente provisional registrado nos Estados Unidos.
“A aureociclina já tem propriedade intelectual, porque descobrimos a planta e inventamos um remédio a partir dela. O grande empecilho é a legislação brasileira, que proíbe qualquer patente de produto extraído da natureza, deixando o caminho aberto para quem quiser copiar o produto ou se apropriar de exemplares da nossa biodiversidade”, destaca.
E prossegue: “O Brasil infelizmente está nessa posição jacobina de não aceitar nenhuma patente de material obtido da natureza, em vez de aproveitar a biodiversidade como vantagem competitiva”, contemporiza.

A nova espécie, Kielmeyera aureovinosa: a) raiz; b) tronco; c) folha; d) caule; e) ramo florífero; f) fruto e sementes; g) botão floral
A superbactéria Sarm é uma mutação do Staphylococcus aureus, bactéria que coloniza a epiderme e as fossas nasais e é a principal responsável pelas infecções hospitalares.
Ela costuma se aproveitar de pequenas lesões na pele, como aquelas provocadas nos pacientes por sondas, e depois que se expande pode causar infecções sistêmicas letais. Mas para além dos hospitais, a ocorrência do Sarm tem crescido na comunidade.
“A grande preocupação é que a superbactéria tem sofrido mutações e ficado cada vez mais resistente, devido ao uso indiscriminado de antibióticos pela população”, explica o médico.
A Extracta, fundada em 1998, foi a primeira empresa brasileira a obter uma licença especial do Ministério do Meio Ambiente para acessar a biodiversidade nacional com o objetivo de preparar uma grande coleção de extratos para a bioprospecção, isto é, a pesquisa de material biológico voltada para a exploração de recursos genéticos.
Em dez anos de existência da empresa, foram mais de 225 expedições em busca de amostras vegetais, que incluíram incursões à Mata Atlântica e à floresta amazônica.
Além do médico e professor Antonio Paes de Carvalho, participam deste projeto os pesquisadores Mario Gomes, botânico e descobridor da Kielmeyera aureovinosa; Otavio Padula de Miranda, microbiologista; Lisieux Julião, química e bióloga; e Giselle Accioly, coordenadora do setor de qualidade no estudo do produto.
Todos participam como coinventores na patente provisional apresentada à agência americana de marcas e patentes, o USPTO.
Fonte: [ FAPERJ ] Link

Medicamento natural contra superbactéria

Por: Fernanda Braune
Extrato de planta brasileira recém-descoberta combate bactéria resistente responsável por infecções hospitalares. O material pode dar origem a um antibiótico para prevenir e eliminar a presença do microrganismo em lesões cutâneas, evitando que ele penetre no corpo.

A planta ‘Kielmeyera aureovinosa’, descoberta recentemente pela equipe da empresa Extracta Moléculas Naturais durante expedição na mata atlântica, tem ação antibiótica contra superbactéria associada a infecções hospitalares. (foto: Mario Gomes/ Extracta)
Pode vir da flora brasileira um novo medicamento para combater uma bactéria super-resistente que é a principal causa de infecções hospitalares de alta mortalidade. O antibiótico está sendo desenvolvido pela empresa Extracta Moléculas Naturais a partir de uma planta até então desconhecida, a Kielmeyera aureovinosa.
O composto, batizado de Aureociclina, é capaz de eliminar a bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina, microrganismo que pode infectar feridas ou cortes na pele e nas fossas nasais e penetrar no corpo.
Normalmente, a contaminação não causa sintomas aparentes, mas, se a bactéria atingir a corrente sanguínea, pode provocar infecções em órgãos e sistemas do corpo e levar à morte.
Embora seja geralmente transmitido em hospitais, através de sondas e cateteres mal instalados e pelo contato de médicos e enfermeiros com o paciente, esse microrganismo já ultrapassou os limites do ambiente hospitalar.
“Na comunidade, ele se manifesta, por exemplo, em clubes de luta e escolas, lugares onde normalmente há muitos machucados e as pessoas se tocam muito”, diz o médico Antônio Paes de Carvalho, fundador da Extracta e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A bactéria ‘Staphylococcus aureus’ resistente à meticilina pode penetrar no corpo através de feridas ou cortes e provocar infecções em diversos órgãos e sistemas e até levar à morte. (foto: CDC/ Janice Carr/ Deepak Mandhalapu, M.H.S.)
Segundo Carvalho, a ideia inicial é formular o antibiótico na forma de creme para prevenir e tratar a infecção em lesões cutâneas. Assim, será possível também evitar que a bactéria se instale no organismo.
Direto da mata atlântica
Foi em uma incursão pela serra do Mar, na mata atlântica, que a equipe da Extracta descobriu a Kielmeyera aureovinosa. Para avaliar o potencial antimicrobiano desta e de outras 48 espécies da flora brasileira, os pesquisadores utilizaram etanol de alta pureza para extrair pequenas moléculas de cada parte das plantas (flor, folha, caule e raiz). Depois, esses diferentes extratos foram diluídos em água e outros solventes e testados em culturas resistentes de Staphylococcus aureus.
Os testes mostraram que a K. aureovinosa era a planta que tinha maior eficácia contra a bactéria, pois necessitava de menor concentração de extrato para obter os mesmos resultados que as outras espécies. Colocado em contato direto, durante 24 horas, com uma colônia de S. aureus resistentes à meticilina, o extrato da planta eliminou todas as bactérias.
O novo medicamento é um pouco mais eficaz que a Mupirocina, antibiótico sintético usado atualmente para combater infecções por S. aureus resistentes
Carvalho conta que o extrato mais ativo foi o da raiz de K. aureovinosa. Esse material foi então usado na preparação de um creme para uso tópico. Testado em culturas celulares e em pele de animais, o creme não apresentou toxicidade, mesmo em concentrações muito superiores às necessárias para matar a bactéria.
Os pesquisadores também verificaram que a Aureociclina é um pouco mais eficaz que a Mupirocina – antibiótico sintético usado atualmente para combater e prevenir infecções por S. aureus resistentes à meticilina em lesões cutâneas. “Para matar uma mesma quantidade de bactérias, é preciso usar 0,25 micrograma de Mupirocina por mililitro contra apenas 0,125 micrograma de Aureociclina”, diz Carvalho.
Agora a equipe da Extracta precisa mostrar que a Aureociclina não apenas mata as bactérias isoladas, como também combate a infecção no corpo. Para isso, o fitoterápico deve ser primeiro testado em animais infectados. No entanto, ainda não há previsão de quando esses testes serão feitos, porque a empresa não dispõe de recursos para realizá-los.
“O ideal seria que pudéssemos demonstrar também a utilidade do medicamento para aplicação por via oral ou intravenosa, pois só assim conseguiríamos atingir a infecção quando ela ultrapassasse a barreira cutânea e se espalhasse pelo organismo”, comenta Carvalho. E acrescenta: “Ainda estamos buscando parceiros financiadores para essa parte final da pesquisa, muito mais trabalhosa e cara”.
Fernanda Braune