NY acha jardim secreto entre avenidas

Projeto quer abrir caminho por trás de prédios do centro

rua_escondida_ny (Foto: divulgação / F-Pops)
Como uma verdadeira praça pública linear – que se estende por sete quarteirões -, um bulevar permanece escondido em meio à confusão de prédios fincados no coração de Manhattan, Nova York. O segredo, conhecido por poucos nova-iorquinos que se atrevem a atravessar a alameda entre a 6ª e a 7ª avenidas, agora tem tudo para se tornar uma alternativa a mais para quem caminha pelas ruas da metrópole.
A história do jardim secreto de Manhattan tem mais de quatro décadas, e o fato de ele ter passado despercebido da maioria da população até hoje não é culpa da pressa de moradores e turistas da cidade, mas, sim, de sua lei de zoneamento. É que, nos anos 1960, o departamento de trânsito criou um sistema de incentivo que permitiu a construção de imóveis particulares em áreas bastante povoadas. Em troca, as empreiteiras cederem os espaços internos e os dos fundos dos prédios para uso público. Com o passar dos anos, os “quintais” foram cobertos e descaracterizados, afastando os cidadãos desses locais.
Agora, o poder municipal estuda uma proposta de revitalização dessas vielas escondidas pelos arranha-céus – ao todo, NY tem 503 espaços públicos ocupados por mais de 300 imóveis privados. No caso específico deste bulevar, a ideia prevê arborizar e padronizar a Avenida 6 ½, apelidada assim por ficar entre 6 e a 7, para integrar saguões, ruas e quintais, com placas de trânsito e faixas de pedestres.
O primeiro passo para abrir caminho está dado. Mesmo que ele dure apenas sete quadras.Link
rua_escondida_ny (Foto: divulgação / F-Pops)
rua_escondida_ny (Foto: divulgação / F-Pops)
rua_escondida_ny (Foto: divulgação / F-Pops)
rua_escondida_ny (Foto: divulgação / F-Pops)
rua_escondida_ny (Foto: divulgação / F-Pops)
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Paisagismo residencial, São Paulo

No paisagismo há o contraste da vegetação vertical com o gramado da praça
Verde
No paisagismo há o contraste da vegetação vertical com o gramado da praça verde
No paisagismo, o céu é a medida

Nas entrelinhas, Isabel Duprat é presença constante em PROJETO DESIGN, nos muitos projetos residenciais e corporativos que passaram pelas mãos habilidosas dessa paisagista paulista, com três décadas de carreira. Sua intervenção nas duas residências apresentadas a seguir, uma urbana e a outra imersa na tranquilidade do campo, são exemplos do diálogo de Isabel com arquiteturas distintas, concebidas respectivamente por Isay Weinfeld e pela extinta dupla Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen.
“Se o homem é a escala arquitetônica, para o paisagismo o céu é a medida”, resume Isabel Duprat com precisão, referindo-se à importância que a luz natural tem em seus projetos e ao entendimento, para ela essencial, da arquitetura em relação ao lugar.
Analisando as fotos da residência urbana idealizada por Isay Weinfeld, é difícil imaginar que da sala se tenha vista para uma movimentada avenida da zona central paulistana, tal a densidade da vegetação e o isolamento que o paisagismo cria em relação ao entorno imediato.
Não se percebem muros nem vizinhos; e os degraus, onipresentes, estão em segundo plano graças à utilização de blocos de pedra com dimensões contrastantes, gramitos e árvores, cuja conformação irregular faz com que a vegetação entre de fato na arquitetura.
A casa de dois pavimentos tem dormitórios voltados para a frente do lote e entrada social pela área de lazer, nos fundos.
Na casa urbana, projeto de Isay Weinfeld, os sete metros de desnível do corredor lateral são diluídos, visualmente, pela vegetação, que ora invade e ora envolve os pisos de pedra

Na casa urbana, projeto de Isay Weinfeld, os sete metros de desnível do corredor lateral são diluídos, visualmente, pela vegetação, que ora invade e ora envolve os pisos de pedra
Implantação da residência urbana - Esquema do projeto paisagístico

Implantação da residência urbana
Esquema do projeto paisagístico
Croqui

Croqui
O projeto se desenvolve como um passeio, representado pelo percurso linear e em aclive entre a porta da rua e a da sala. É longa a distância e o desnível vencidos pelos degraus e patamares, com o muro lateral de divisa como limite.
O caminho é estruturado por “forrações e arbustos de diferentes formas, cores e texturas – como calateas, crinuns, spatiphylluns, caliandras, odontonemas -, que recebem árvores verticais floridas, compassadas por palmeiras e troncos de cores claras e escuras”, detalha a paisagista.
Esse trajeto conduz ao grande tapete verde dos fundos da residência, a praça de chegada que envolve a piscina, cuja profundidade é enfatizada pela mata de ipês amarelos e mirundibas.
Já na esparramada casa de Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen, localizada em condomínio residencial no interior de São Paulo, a profundidade do campo visual e o traço retilíneo e modular da arquitetura foram os elementos referenciais do paisagismo.
Implantada em lote que se abre nos fundos para um bosque e campo de golfe, a edificação tem dois pavimentos que vencem, através de caixas ou volumes individuais de madeira, os dez metros de desnível.
Os módulos abrigam os ambientes íntimos e sociais e estão articulados entre si pelo pátio central, de estar e lazer, demarcado na largura pela pérgola que interliga os diversos setores.
Diferentes dimensões dos degraus de pedr
As diferentes dimensões dos degraus de pedra, e sua interação com a vegetação, dissimulam as distâncias dos percursos pelo lote

As diferentes dimensões dos degraus de pedra, e sua interação com a vegetação, dissimulam as distâncias dos percursos pelo lote
A arquitetura desenvolve-se através de longo passeio lateral que desemboca na área aberta dos fundos

A arquitetura desenvolve-se através de longo passeio lateral que desemboca na área aberta dos fundos
Duas escalas complementares embasam o paisagismo. Uma contextualizada pela paisagem distante (“o céu e a natureza têm forte presença nesse projeto”, conceitua Isabel), a outra intimista, representada pelos jardins internos sob a pérgola.
Eles recortam irregularmente o grande pátio seco no centro da residência, servindo de cenário natural para as aberturas de salas e dormitórios.
Nas laterais do terreno, que faz divisa com outros lotes residenciais, há pequenas matas resguardando a privacidade doméstica.
“Favoreci o movimento irregular desses fechamentos laterais, adensados com árvores nativas de espécies variadas, como pau de rosas, guapuruvu, lophantera e inúmeras frutíferas”, explica a paisagista.
Uma pérgola metálica acompanha toda a largura da edificação e serve de marcação para os jardins internos na casa projetada por Bernardes e Jacobsen, em condomínio no interior de São Paulo

Uma pérgola metálica acompanha toda a largura da edificação e serve de marcação para os jardins internos na casa projetada por Bernardes e Jacobsen, em condomínio no interior de São Paulo
Os degraus curvos acomodam o platô da casa às curvas de nível do terreno

Os degraus curvos acomodam o platô da casa às curvas de nível do terreno
Durante a execução, Isabel percebeu o potencial da visual do bosque localizado a meia distância, o que evoluiu para o prolongamento do platô e a criação de compridos degraus, que acomodam a área plana central – criada pela arquitetura – no terreno em declive.
“A ideia era fazer degraus retos, mas, como a casa já é bastante retilínea, sugeri diluirmos a escada de modo que ela demarcasse as curvas de nível”, ela conclui.
Tal ação é recorrente no trabalho de Isabel Duprat, marcado pela forte presença da vegetação e pela atenção às potencialidades e demandas de se trabalhar com seres vivos, as plantas.
Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 389
Isabel DupratFormada em 1978 pela FAU/Mackenzie,Isabel Duprat desenvolve e acompanha a execução, há mais de 30 anos, de projetos de arquitetura paisagística de residências, fazendas, empreendimentos comerciais e institucionais em diversos estados do Brasil e no exterior
Ipês amarelos e pedriscos conformam o jardim aerado, que pontua a piscina e a área de lazer

Ipês amarelos e pedriscos conformam o jardim aerado, que pontua a piscina e a área de lazer
A casa abre-se para os fundos do lote

A casa abre-se para os fundos do lote
Foto: Marco Yamin
Implantação da residência em Bragança Paulista - Esquema do projeto paisagístico

Implantação da residência em Bragança Paulista
Esquema do projeto paisagístico

Paisagismo residencial, São Paulo

No paisagismo há o contraste da vegetação vertical com o gramado da praça
Verde
No paisagismo há o contraste da vegetação vertical com o gramado da praça verde
No paisagismo, o céu é a medida

Nas entrelinhas, Isabel Duprat é presença constante em PROJETO DESIGN, nos muitos projetos residenciais e corporativos que passaram pelas mãos habilidosas dessa paisagista paulista, com três décadas de carreira. Sua intervenção nas duas residências apresentadas a seguir, uma urbana e a outra imersa na tranquilidade do campo, são exemplos do diálogo de Isabel com arquiteturas distintas, concebidas respectivamente por Isay Weinfeld e pela extinta dupla Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen.
“Se o homem é a escala arquitetônica, para o paisagismo o céu é a medida”, resume Isabel Duprat com precisão, referindo-se à importância que a luz natural tem em seus projetos e ao entendimento, para ela essencial, da arquitetura em relação ao lugar.
Analisando as fotos da residência urbana idealizada por Isay Weinfeld, é difícil imaginar que da sala se tenha vista para uma movimentada avenida da zona central paulistana, tal a densidade da vegetação e o isolamento que o paisagismo cria em relação ao entorno imediato.
Não se percebem muros nem vizinhos; e os degraus, onipresentes, estão em segundo plano graças à utilização de blocos de pedra com dimensões contrastantes, gramitos e árvores, cuja conformação irregular faz com que a vegetação entre de fato na arquitetura.
A casa de dois pavimentos tem dormitórios voltados para a frente do lote e entrada social pela área de lazer, nos fundos.
Na casa urbana, projeto de Isay Weinfeld, os sete metros de desnível do corredor lateral são diluídos, visualmente, pela vegetação, que ora invade e ora envolve os pisos de pedra

Na casa urbana, projeto de Isay Weinfeld, os sete metros de desnível do corredor lateral são diluídos, visualmente, pela vegetação, que ora invade e ora envolve os pisos de pedra
Implantação da residência urbana - Esquema do projeto paisagístico

Implantação da residência urbana
Esquema do projeto paisagístico
Croqui

Croqui
O projeto se desenvolve como um passeio, representado pelo percurso linear e em aclive entre a porta da rua e a da sala. É longa a distância e o desnível vencidos pelos degraus e patamares, com o muro lateral de divisa como limite.
O caminho é estruturado por “forrações e arbustos de diferentes formas, cores e texturas – como calateas, crinuns, spatiphylluns, caliandras, odontonemas -, que recebem árvores verticais floridas, compassadas por palmeiras e troncos de cores claras e escuras”, detalha a paisagista.
Esse trajeto conduz ao grande tapete verde dos fundos da residência, a praça de chegada que envolve a piscina, cuja profundidade é enfatizada pela mata de ipês amarelos e mirundibas.
Já na esparramada casa de Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen, localizada em condomínio residencial no interior de São Paulo, a profundidade do campo visual e o traço retilíneo e modular da arquitetura foram os elementos referenciais do paisagismo.
Implantada em lote que se abre nos fundos para um bosque e campo de golfe, a edificação tem dois pavimentos que vencem, através de caixas ou volumes individuais de madeira, os dez metros de desnível.
Os módulos abrigam os ambientes íntimos e sociais e estão articulados entre si pelo pátio central, de estar e lazer, demarcado na largura pela pérgola que interliga os diversos setores.
Diferentes dimensões dos degraus de pedr
As diferentes dimensões dos degraus de pedra, e sua interação com a vegetação, dissimulam as distâncias dos percursos pelo lote

As diferentes dimensões dos degraus de pedra, e sua interação com a vegetação, dissimulam as distâncias dos percursos pelo lote
A arquitetura desenvolve-se através de longo passeio lateral que desemboca na área aberta dos fundos

A arquitetura desenvolve-se através de longo passeio lateral que desemboca na área aberta dos fundos
Duas escalas complementares embasam o paisagismo. Uma contextualizada pela paisagem distante (“o céu e a natureza têm forte presença nesse projeto”, conceitua Isabel), a outra intimista, representada pelos jardins internos sob a pérgola.
Eles recortam irregularmente o grande pátio seco no centro da residência, servindo de cenário natural para as aberturas de salas e dormitórios.
Nas laterais do terreno, que faz divisa com outros lotes residenciais, há pequenas matas resguardando a privacidade doméstica.
“Favoreci o movimento irregular desses fechamentos laterais, adensados com árvores nativas de espécies variadas, como pau de rosas, guapuruvu, lophantera e inúmeras frutíferas”, explica a paisagista.
Uma pérgola metálica acompanha toda a largura da edificação e serve de marcação para os jardins internos na casa projetada por Bernardes e Jacobsen, em condomínio no interior de São Paulo

Uma pérgola metálica acompanha toda a largura da edificação e serve de marcação para os jardins internos na casa projetada por Bernardes e Jacobsen, em condomínio no interior de São Paulo
Os degraus curvos acomodam o platô da casa às curvas de nível do terreno

Os degraus curvos acomodam o platô da casa às curvas de nível do terreno
Durante a execução, Isabel percebeu o potencial da visual do bosque localizado a meia distância, o que evoluiu para o prolongamento do platô e a criação de compridos degraus, que acomodam a área plana central – criada pela arquitetura – no terreno em declive.
“A ideia era fazer degraus retos, mas, como a casa já é bastante retilínea, sugeri diluirmos a escada de modo que ela demarcasse as curvas de nível”, ela conclui.
Tal ação é recorrente no trabalho de Isabel Duprat, marcado pela forte presença da vegetação e pela atenção às potencialidades e demandas de se trabalhar com seres vivos, as plantas.

Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 389 
Isabel DupratFormada em 1978 pela FAU/Mackenzie,Isabel Duprat desenvolve e acompanha a execução, há mais de 30 anos, de projetos de arquitetura paisagística de residências, fazendas, empreendimentos comerciais e institucionais em diversos estados do Brasil e no exterior
Ipês amarelos e pedriscos conformam o jardim aerado, que pontua a piscina e a área de lazer

Ipês amarelos e pedriscos conformam o jardim aerado, que pontua a piscina e a área de lazer
A casa abre-se para os fundos do lote

A casa abre-se para os fundos do lote
Foto: Marco Yamin
Implantação da residência em Bragança Paulista - Esquema do projeto paisagístico

Implantação da residência em Bragança Paulista
Esquema do projeto paisagístico

Arquiteto português é o ganhador do prêmio máximo do paisagismo mundial

O arquiteto português Gonçalo Ribeiro Telles foi laureado na última quarta-feira, dia 10 de abril, com o título máximo do paisagismo, o Prêmio Sir Geoffrey Jellicoe, entregue em Auckland, Nova Zelândia, durante o congresso da Federação Internacional dos Arquitetos Paisagistas, a IFLA.

Criada em 2004, a premiação tem por objetivo, de acordo com reportagem do portal Público.pt, “reconhecer um arquiteto paisagista cuja obra e contribuições ao longo da vida tenham tido um impacto incomparável e duradoiro no bem-estar da sociedade e do ambiente e na promoção da profissão”.

Nascido no ano de 1922, em Lisboa, Gonçalo Pereira Ribeiro Telles é graduado em agronomia e em arquitetura paisagista. Ele iniciou sua carreira como assistente de Francisco Caldeira Cabral, um dos pioneiros do paisagismo em Portugal.

Entre os projetos de sua autoria estão o Corredor Verde de Monsanto (conhecido como o corredor verde de Lisboa), os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, o Vale de Alcântara e da Radial de Benfica, o Vale de Chelas e o Parque Periférico, todos na capital portuguesa.

A premiação é considerada o Nobel do paisagismo e compara-se, em relevância, ao Prêmio Pritzker. Seu nome é uma homenagem ao paisagista britânico Sir Geoffrey Jellicoe (1900-1996), fundador da Federação Internacional dos Arquitetos Paisagistas.

Entre os ganhadores do prêmio Jellicoe estão o norte-americano Peter Walker (2004), o francês Bernard Lassus (2009), a canadense Cornelia Hahn Oberlander (2011) e o húngaro Mihaly Mocsenyi (2012).

Paisagismo na “praia”, no CANADÁ

Esta praia não foi feita para que as pessoas nadassem no lago, mas sim para servir como um local público de lazer, relaxamento e atividades sociais. Não é incrível ter um lugar assim no meio da cidade?