O céu de cada um

Não tenho a menor esperança de ter a resposta certa.
Mas,mal não pode haver no meu propósito: o céu e o inferno seriam extintos e cada um viveria a eternidade no jardim que cultivou a vida.
Dinheiro não faria diferença.A Natureza generosa,em qualquer lugar que se viva,é possível ficar rodeado de plantas,flores e beleza.Até com uns poucos metros no fundo da casa é possível simular uma floresta,como se estivesse em um cantinho mais fechado.
As pessoas mesquinhas,que nunca tiveram a generosidade de dar água e caridade às plantas,teriam para sempre o chão batido  e esturricado,sem nada mais que pudessem pretender.
Aos que alimentaram a vida,um céu risonho de possibilidades.
O primeiro céu seris o microcosmo dos insetos e das formigas com suas mini-avenidas pelo solo,seus caminhos subterrâneos,o Bem representado pela terra fofa e querida pelas raízes e o Mal,pelo preço dos ataques às flores e frutos.
O segundo céu vestiria a terra nua de verde.
No terceiro céu,reinariam as begônias e as helicônias;as enormes flores dos hibiscos,o perfume dos jasmins.Todas ao nível dos olhos,ao alcance do toque de mãos e de narizes.
O quarto céu seria o paraíso do paladar.Frutas soberbas,Jabuticabas enormes,tangerinas maduras,mangas carnudas.Nos cachos das uvas,a verdade da vida…
As coisas que podem ser feitas pelas mãos humanas seriam o quinto céu.Poltronas e redes,mesas e cadeiras,almofadas e ofurôs,um mundo de conforto para viver um tempo sem fim.
As árvores,enormes e floridas,seriam o sexto céu.Dariam o ângulo especial para ver tudo a distância,do alto.Abrigariam outras vidas,dariam sombras,seriam as amigas de todas as horas.
No sétimo céu voariam os pássaros e borboletas. E  eles fariam o contato com os outros mundos.
Os beija-flores falariam de amores,os gaviões fariam as cenas de ação,a dança desengonçada das borboletas faria rir…
Ao lado,no chão batido e esturricado,o mesquinho vai e vem,sem ter o que olhar.
E você,já escolheu como viveria a eternidade?
Roberto Araújo

Anúncios