Símbolo da Abolição: A flor Camélia e sua história

Originária da China, Japão e Coréia, a Camellia japonica encanta a todos.



Da Família Theaceae, pode atingir 6m de altura e 2,5m de diâmetro. Gosta de sol pleno e meia sombra, clima Subtropical, Temperado, Tropical de altitude. Época de Floração: Outono, Inverno. Propagação: Alporquia, Estaquia. Mês(es) da Propagação: Inverno. Persistência das folhas: Permanente.
Obs: A variedade de flores brancas dobradas suporta melhor os climas quentes.
O gênero foi descrito pelo naturalista sueco Carl von Linné em sua obra magnaSpecies Plantarum, e assim designado em homenagem ao missionário jesuítaGeorg Kamel. Algumas espécies deste gênero pertenciam ao gênero Thea, mas este epíteto foi sinonimizado com Camellia quando se observou que as Camellia e Thea não apresentavam qualquer diferença significativa entre si.
Todas as espécies de Camellia são designadas, na China, pela palavra mandarim “chá”, complementada por algum termo que, geralmente, caracteriza seu habitat ou suas peculiaridades morfológicas.
Favorita dos mandarins e monges chineses, curiosamente ela é associada a dois personagens completamente diferentes: um simples padre jesuíta, cujo nome,Georg Kamel, deu origem ao nome desta planta e uma bela cortesã francesa,Marie Duplessis, que o famoso escritor Alexandre Dumas imortalizaou com o nome de Marguerite Gauthier, em seu célebre romance A Dama das Camélias, por volta de 1840.
Japão, China e Coreia são os países tradicionalmente líderes na produção de camélias e na obtenção de novas variedades. Curiosamente, a Itália, desde o século XIX, afronta estes países na produção de variedades comerciais, sendo um dos líderes na sua produção no ocidente. Ao todo, existem mais de 3000 tipos diferentes de camélias somente entre as obtidas da espécie Camellia japonica, somando-se a um número total mais alto, com estimativas entre 5000 e 8000 variedades.
A este gênero ainda pertence a C. sinensis, espécie de cujas folhas se obtém o chá, e cujo comércio movimenta bilhões de dólares todos os anos. Outras espécies de Camellia ainda são usadas localmente na Índia e na China como alternativas à C. sinensis para a preparação de chá. Outras produzem um óleo em suas sementes, aproveitado como combustível.
Quanto à presença da camélia na História brasileira, lembremos, conforme os escritores que descreveram as lutas abolicionistas na segunda metade do século XIX, que a camélia era o símbolo da Confederação Abolicionista, criada em 1883, no Rio de Janeiro, com sede no jornal “Gazeta da Tarde”.
A escolha da camélia como símbolo do movimento abolicionista era explicada porque havia no Rio de Janeiro, ao tempo, um famoso quilombo no bairro do Leblon onde eram produzidas flores, especialmente camélias, que abasteciam a então capital do país.

No dia 13 de maio de 1888, no momento em que a princesa Isabel assinava a chamada Lei Áurea (n° 3.353), foram-lhe entregues dois buquês de camélias, um, artificial, pela diretoria da Confederação, em nome do movimento vitorioso, e outro, de flores naturais, vindas do quilombo do Leblon, por gente do povo, que o abolicionista Rui Barbosa definiu como “a mais mimosa das oferendas populares.”


Desde muito que a camélia, natural ou artificial, era um símbolo da ala radical do movimento, utilizada inclusive como senha para a identificação dos seus participantes. Todos os que se envolviam mais perigosamente no movimento, apoiando fugas, criando esconderijos, usavam camélias. Qualquer escravo que fugisse encontrava um protetor, identificando-o pela camélia que ostentava no decote, se mulher, ou na lapela, se homem. A própria princesa Isabel, que, inicialmente, ficara alheia ao movimento, aderiu a ele aos poucos. Essa adesão ficou patente quando passou a ser vista com camélias no decote, aparecendo em público com as flores. O palácio imperial de Petrópolis, por sua iniciativa, teve seus jardins cobertos de cameleiras.

É preciso que fique claro, para não se ficar defendendo inverdades, que a lei Aurea não foi um presente da princesa Isabel mas, sim, uma conquista das bases, dos quilombos e dos intelectuais e políticos que se empenharam no movimento, figuras como as de José do Patrocínio, João Clapp, Rui Barbosa, Brício Filho, Joaquim Nabuco e André Rebouças, intelectual, o primeiro negro a se formar em Engenharia e que, depois, se tornaria catedrático na Escola Politécnica.
A princesa Isabel e algumas damas da corte só na reta final do regime imperial passaram a apoiar o movimento libertário. De 1887 em diante, a elite, a alta-roda, que até então sempre classificara o movimento abolicionista como “arruaça”, “baderna”, procurou se ver livre de seus escravos. Até fins de 1887, ser abolicionista era complicado, exigia sacrifícios. Do início de 1888 em diante, como a princesa e as damas enfeitassem o colo com camélias, ser abolicionista virou moda, a alta-roda entrou de cabeça no movimento, aproveitando para jogar na rua um enorme contingente de negros, grande parte dele indo se refugiar nos morros do Rio de Janeiro.
Daí para a frente, o resto da história nós já sabemos. É essa gente que hoje, por exemplo, descendo dos morros do Rio de Janeiro, vem para o asfalto “cobrar” a conta pendurada pela princesa Isabel.
O samba de Herivelto Martins (Ave Maria no Morro: viver no morro é viver pertinho do céu, lá tem passarada ao alvorecer, sinfonia de pardais etc.), embora um clássico nostálgico, decididamente não tem lugar no atual cenário das favelas cariocas. (…)


Fonte: http
://cidmarcus.blogspot.com.br/2011/06/camelia-i.html  Link
Anúncios