Destaques verdes

 

Poucos exemplares já fazem a diferença em ambientes internos

Na casa projetada pelo arquiteto Roberto Aracri, do Rio de Janeiro, RJ, as características da sala de jantar favorecem a presença de plantas, já que o pé-direito alto oferece boa ventilação e as janelas que contornam todo o ambiente proporcionam luminosidade abundante. Por isso, o resultado com a disposição de vasos com palmeiras e lírio-da-paz foi positivo

A arquiteta e designer de interiores Evelin Sayar, de Santo André, SP, integrou a estrutura de uma árvore ao projeto arquitetônico. Para isso, criou um jardim interno delimitado por pedras, cujo tronco da arbórea é a peça central e nele foram colocados alguns pendentes decorativos e um vaso com folhagem

A arquiteta e designer de interiores Evelin Sayar, de Santo André, SP, integrou a estrutura de uma árvore ao projeto arquitetônico. Para isso, criou um jardim interno delimitado por pedras, cujo tronco da arbórea é a peça central e nele foram colocados alguns pendentes decorativos e um vaso com folhagem
A paisagista Monica Castelo Branco, do escritório Botana Paisagismo, do Rio de Janeiro, RJ, aproveitou um cantinho do ambiente interno para projetar uma bela jardineira revestida de madeira e com borda de vidro, onde foram plantados exemplares de lança-de-são-jorge. O conjunto ganha destaque inclusive à noite, devido aos <i>spots</i> com iluminação direcionada

A paisagista Monica Castelo Branco, do escritório Botana Paisagismo, do Rio de Janeiro, RJ, aproveitou um cantinho do ambiente interno para projetar uma bela jardineira revestida de madeira e com borda de vidro, onde foram plantados exemplares de lança-de-são-jorge. O conjunto ganha destaque inclusive à noite, devido aos spots com iluminação direcionada
Para dar um toque especial e também levar um pouco de vida ao <i>home office</i> desta casa, apostou-se na singularidade da palmeira-rápis cultivada em um vaso decorado. Projeto da arquiteta Angela Martins, de São Paulo, SP

Para dar um toque especial e também levar um pouco de vida ao home office desta casa, apostou-se na singularidade da palmeira-rápis cultivada em um vaso decorado. Projeto da arquiteta Angela Martins, de São Paulo, SP
Esta varanda projetada pela designer de interiores Vivian Calissi, da capital paulista, ficou mais bonita com a disposição dos exemplares de ripsális em quadros de bambu fixados na parede

Esta varanda projetada pela designer de interiores Vivian Calissi, da capital paulista, ficou mais bonita com a disposição dos exemplares de ripsális em quadros de bambu fixados na parede
A vegetação agrega cor e aconchego aos ambientes internos de estilo <i>clean</i>. Por isso, o cantinho da sala da casa projetada pelo engenheiro civil Rogério Gomes, da capital fluminense, ganhou um grande exemplar de palmeira

A vegetação agrega cor e aconchego aos ambientes internos de estilo clean. Por isso, o cantinho da sala da casa projetada pelo engenheiro civil Rogério Gomes, da capital fluminense, ganhou um grande exemplar de palmeira
O grande pândano com sua forma escultural se integrou perfeitamente à sala de estilo despojado, destacando-se ainda mais com a iluminação direcionada. Projeto do arquiteto Alfredo Kobbaz, de Pindamonhangaba, SP

O grande pândano com sua forma escultural se integrou perfeitamente à sala de estilo despojado, destacando-se ainda mais com a iluminação direcionada. Projeto do arquiteto Alfredo Kobbaz, de Pindamonhangaba, SP Link
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O bom gosto


 A sutileza apurada pelo refinamento se contrapõe com a vulgaridade. Como separar um do outro?
Aos poucos, o mundo supera suas divisões e seus preconceitos. A distância entre ricos e pobres é cada vez mais curta; Ocidente e Oriente mesclam experiências e crenças; líderes negros se destacam e a saúde sexual passa a ser mais importante do que as opções de prazer entre pessoas.
Penso que, superadas tantas diferenças, permanecerá por muito tempo a desproporção entre o bom gosto e a estética torpe. A possibilidade de maior acesso ao design permite que a chamada classe C, ou Classe Trabalhadora, que inclui os chamados “profissionais de colarinho-azul”, adquiram móveis, eletrodomésticos, utensílios, roupa e carros, com uma concepção e uma elaboração que ninguém sonhava nos anos 70. Percebo que, as profissões de design de interiores, design de moda e design de produto se popularizaram de modo tal que ja não é necessário frequentar os cursos do Instituto Europeo di Design em Milão; os de moda em Paris, nem ir à Alemanha para ficar um tempão na Bauhaus, aprendendo com as experiencias de uma escola fundada por Walter Gropius em 1919. Sem sair do Brasil, mas com muito esforço, sem dúvida, é possivel que filhos de uma elite não dominante se graduem nestas áreas e ditem, atualmente, tendências que todo o mundo segue.
Visto assim parece fácil, de repente o bom gosto pode ser comprado em um shopping. Será? Creio que não, porque a elegância não é uma mercadoria que adquirimos com dinheiro, se assim fosse os endinheirados seriam chiquérrimos e aqueles que não tem esse privilégio teriam “uma maneira de ser” inclinada ao escasso valor estético, sem nenhum envolvimento com o belo. Como podemos constatar, essa regra não pode ser utilizada com frequência e, apesar da maior possibilidade de escolha e de informação que as pessoas da classe A tem, o kitsch é muito comum entre os mais abastados e não é raro de ver a elegância natural que é praticada por pessoas que ainda padecem com a desigualdade social.
O jardim, como sempre, tem algo de emblemático. Funciona na maioria das vezes como uma espécie de brasão que pretende identificar, de modo heráldico, o clã ao qual pertencemos. Compondo as fachadas de algumas residências, vemos plantas caríssimas espalhadas sem harmonia nem sintonia, pinheirinhos e palmeirinhas convivem irmanando o tropical com o frio da montanha. Embaralhados, buxinhos escravizados pela poda sobrevivem com orquídeas asiáticas, libertas nas copas das árvores. Todo pelo artifícioso afã de mostrar que, nessa casa, alguém com recursos exibe seu poderio.
Cuidado, é bom inspirar-se em Lord Brummel, o elegante amigo do Príncipe de Gales (futuro Rei George IV) que, no inicio do século XIX, impôs à moda discreta dos ternos escuros e os foulards que usava como gravatas. Discreto, quase modesto para a sua época, pedia a seu criado que desse brilho a suas botas com champagne. Segundo ele, a melhor forma de ser chique era não chamando a atenção, mas ser admirado pelo bom gosto.
Enfim, lições de um homem conhecido como “O Belo Brummel”. (Raul Cânovas)