A MUSA DAS ÁGUAS

Existe um grupo de plantas que prefere o movimento suave da água à firmeza da terra. Com folhas minúsculas ou grandes e flores delicadas, as espécies aquáticas embelezam bacias, lagos e espelhos d’água

 (Foto: Evelyn Müller)
(Foto: Evelyn Müller)

Pintura na água

A micro paisagem à altura das telas do pintor Claude Monet não deixa dúvidas das intenções do paisagista Leo Laniado para o espelho d’água de 11,25x 4,30 m neste jardim em Cotia, São Paulo. “A ideia era quebrar a monotonia da água com os elementos naturais que refletem nela. escolhemos os resedás para refletirem como uma pintura”, diz o paisagista.
As árvores foram contidas por blocos de alvenaria forrados de grama-amendoim. Além dessa vegetação, a paisagista Marlene Laniado criou uma ambientação com plantas aquáticas. São elas: aguapé, alface-d’água, sombrinha-chinesa, ninfeia-azul e pontedéria. O espelho d’água está próximo à piscina para aumentar a sensação de frescor, que fica completa como painel de pedra moledo e a chapa de aço corten, por onde desliza suavemente a água em circulação.
O visual de lago foi inten­cional: os resedás parecem emergir da água, mas estão plantados diretamente na terra, contida pela caixa de alvenaria. A ilusão é causada pela forração de grama­-amendoim. O espelho d'água tem seixos como forração de oxigenar a  (Foto: Evelyn Müller)O visual de lago foi intencional: os resedás parecem emergir da água, mas estão plantados diretamente na terra, contida pela caixa de alvenaria. A ilusão é causada pela forração de grama-amendoim. O espelho d’água tem seixos como forração de oxigenar a água. Plantada em vaso, a sombrinha-chinesa atinge até 1,10 m de altura. Na superfície da água, alguns exemplares de alface-d’água. À esq., as folhas da ninfeia-azul somem durante o inverno, mas reaparecem na primavera. Suas flores azuis surgem no mesmo período e permanecem até o verão (Foto: Evelyn Müller)
 No jardim com viburno, murta, íris, fícus e até uma pitangueira, as caixas baixas de aço, da Firgal, chamam a atenção entre os pedriscos. A solução é perfeita para espaços pequenos, como varandas (Foto: Evelyn Müller)No jardim com viburno, murta, íris, fícus e até uma pitangueira, as caixas baixas de aço, da Firgal, chamam a atenção entre os pedriscos. A solução é perfeita para espaços pequenos, como varandas (Foto: Evelyn Müller)
Por ser minúscula, a salvínia é considerada um “feto flutuante”. Serve para áreas de sol e sombra  (Foto: Evelyn Müller)Por ser minúscula, a salvínia é considerada um “feto flutuante”. Serve para áreas de sol e sombra (Foto:
Evelyn Müller)
Caixas verdejantes
A entrada de 12 m² da casa da paisagista Claudia Diamant, no Jardim paulistano, em São Paulo, reserva uma surpresa a quem passa por lá. Em vez de trabalhar apenas com os vasos de fícus e as plantas periféricas viburno, murta e íris, Claudia e sua sócia, Marina Domingues, usaram caixas baixas de aço para as minúsculas salvínias.
A plantinha que se reproduz com rapidez, preencheu as duas caixas de 2 e 2,50 m de comprimento, que apenas foram encaixadas entre os pedriscos.embora possa ser usada em áreas com sol ou sombra, sob a última condição, a espécie fica mais rala.
No jardim com viburno, murta, íris, fícus e até uma pitangueira, as caixas baixas de aço, da Firgal, chamam a atenção entre os pedriscos. A solução é perfeita para espaços pequenos, como varandas.
Os aguapés enchem a primeira bacia (à frente). Na segunda, a mistura de espécies aquáticas inclui as alfaces- -d’água, as ninfeias e o lótus (Foto: Evelyn Müller)Os aguapés enchem a primeira bacia (à frente). Na segunda, a mistura de espécies aquáticas inclui as alfaces- -d’água, as ninfeias e o lótus (Foto: Evelyn Müller)
Flores de baciada
As bacias de cerâmica ganharam lugar cativo neste jardim, no bairro da Saúde, em São Paulo, desde que a paisagista Ana Claudia e Costta Pinto montou esta versão florida – e aquática – para a moradora.
Espécies flutuantes, como aguapés, alfaces-d’água, ninfeias e um lótus em vaso, enchem os dois tachos e permanecem floridas entre a primavera e o verão. Como as plantas aquáticas se reproduzem com rapidez, a retirada de alguns exemplares é sempre válida para não tumultuar as bacias.
Rosada ou branca, a flor grande e perfumada do lótus surge principalmente no verão. Seu fruto perfurado com sementes com estiveis é muito usado em arranjos florais (Foto: Evelyn Müller)Rosada ou branca, a flor grande e perfumada do lótus surge principalmente no verão. Seu fruto perfurado com sementes com estiveis é muito usado em arranjos florais. Curiosidade: as flores da ninfeia-vermelha são brancas quando se abrem, mas depois tornam-se rosadas. O aguapé tem raízes que são usadas pelos peixes para o depósito de ovos (Foto: Evelyn Müller)
Fibra de coco e réguas de pínus tratado na parede, bambu na pérgola e pedras moledo dentro d'água. Os elementos naturais circundam o espelho e dão leveza à área avistada da sala de jantar. As cavalinhas fazem o papel de guarda-corpo  (Foto: Evelyn Müller)Fibra de coco e réguas de pínus tratado na parede, bambu na pérgola e pedras moledo dentro d’água. Os elementos naturais circundam o espelho e dão leveza à área avistada da sala de jantar. As cavalinhas fazem o papel de guarda-corpo (Foto: Evelyn Müller)
Os vasos de cimento funcionam como bicas d’água. Conforme transbordam, criam uma cascata natural que respinga nos minipapiros (Foto: Evelyn Müller)Os vasos de cimento funcionam como
bicas d’água. Conforme transbordam,
criam uma cascata natural que respinga
nos mini papiros (Foto: Evelyn Müller)
Plantas como proteção
Com 6 m de comprimento, o espelho d’água visto da sala de jantar nesta casa em Campinas, São Paulo, ganhou um cuidado a mais, previsto pelo paisagista Alexandre Furcolin e a coordenadora de projetos Marina Gwyther. As cavalinhas, acomodadas dentro d’água, vazam pelo deque de pínus tratado e servem de proteção para indicar a presença do espelho d’água, com profundidade que varia de 5 0a 70cm.
A mudança de altura serve para dispor melhor os três vasos de cimento com mini papiros, eles pontuam o painel vertical de fibra de coco com réguas de pínus, que abrigavas os cerâmicos com orquídeas. Uma estrutura de alumínio sustenta a pérgola de bambu, com aberturas. A luz que vaza pela pérgola incide nos exemplares de ninfeia-azul. Além deles, as pedras moledo forram o espelho e embelezam ainda mais a água.
 As espécies aquáticas estão em vasos a apenas 40 cm de profundidade da superfície da água. Ao fundo, abica, da Paglioto, faz a circulação da água. Na extremidade oposta, pinguins da coleção particular de Elkis  (Foto: Evelyn Müller)As espécies aquáticas estão em vasos a
apenas 40 cm de profundidade da superfície
da água. Ao fundo, a bica, da Paglioto, faz
a circulação da água. Na extremidade
oposta, pinguins da coleção particular
de Elkis (Foto: Evelyn Müller)
Desgaste natural
A vista para o espelho d’água faz toda a diferença no escritório do paisagista Gilberto Elkis, na vila madalena, em São Paulo.incrustado em um local com pouca incidência de sol, o espelho de tijolos de demolição foi naturalmente tomado por musgos. Uma bica mantém a água em circulação frequentemente
O espelho com 4,20 m de extensão ganhou exemplares de lótus e pontedéria, que se revezam na função de colorir a água com suas flores rosa e lilás. Para esconder o muro, Gilberto investiu em um painel vertical, forrado de samambaias, mini costelas-de-adão, filodendros, bromélias, entre outras plantas de sombra.

 

As espécies aquáticas estão em vasos a apenas 40 cm de profundidade da superfície da água. Ao fundo, abica, da Paglioto, faz a circulação da água. Na extremidade oposta, pinguins da coleção particular de Elkis (Foto: Evelyn Müller)As espécies aquáticas estão em vasos a apenas 40 cm de profundidade da superfície da água. Ao fundo, a bica, da Paglioto, faz a circulação da água. Na extremidade oposta, pinguins da coleção particular de Elkis.Arroxeadas e em forma de espiga, as flores da pontedéia são formadas entre a primavera e o verão. É adequada para maciços e bordaduras à beira de lagos (Foto: Evelyn Müller)Link
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Destaques verdes

Poucos exemplares já fazem a diferença em ambientes internos

Na casa projetada pelo arquiteto Roberto Aracri, do Rio de Janeiro, RJ, as características da sala de jantar favorecem a presença de plantas, já que o pé-direito alto oferece boa ventilação e as janelas que contornam todo o ambiente proporcionam luminosidade abundante. Por isso, o resultado com a disposição de vasos com palmeiras e lírio-da-paz foi positivo

A arquiteta e designer de interiores Evelin Sayar, de Santo André, SP, integrou a estrutura de uma árvore ao projeto arquitetônico. Para isso, criou um jardim interno delimitado por pedras, cujo tronco da arbórea é a peça central e nele foram colocados alguns pendentes decorativos e um vaso com folhagem

A arquiteta e designer de interiores Evelin Sayar, de Santo André, SP, integrou a estrutura de uma árvore ao projeto arquitetônico. Para isso, criou um jardim interno delimitado por pedras, cujo tronco da arbórea é a peça central e nele foram colocados alguns pendentes decorativos e um vaso com folhagem
A paisagista Monica Castelo Branco, do escritório Botana Paisagismo, do Rio de Janeiro, RJ, aproveitou um cantinho do ambiente interno para projetar uma bela jardineira revestida de madeira e com borda de vidro, onde foram plantados exemplares de lança-de-são-jorge. O conjunto ganha destaque inclusive à noite, devido aos <i>spots</i> com iluminação direcionada

A paisagista Monica Castelo Branco, do escritório Botana Paisagismo, do Rio de Janeiro, RJ, aproveitou um cantinho do ambiente interno para projetar uma bela jardineira revestida de madeira e com borda de vidro, onde foram plantados exemplares de lança-de-são-jorge. O conjunto ganha destaque inclusive à noite, devido aos spots com iluminação direcionada
Para dar um toque especial e também levar um pouco de vida ao <i>home office</i> desta casa, apostou-se na singularidade da palmeira-rápis cultivada em um vaso decorado. Projeto da arquiteta Angela Martins, de São Paulo, SP

Para dar um toque especial e também levar um pouco de vida ao home office desta casa, apostou-se na singularidade da palmeira-rápis cultivada em um vaso decorado. Projeto da arquiteta Angela Martins, de São Paulo, SP
Esta varanda projetada pela designer de interiores Vivian Calissi, da capital paulista, ficou mais bonita com a disposição dos exemplares de ripsális em quadros de bambu fixados na parede

Esta varanda projetada pela designer de interiores Vivian Calissi, da capital paulista, ficou mais bonita com a disposição dos exemplares de ripsális em quadros de bambu fixados na parede
A vegetação agrega cor e aconchego aos ambientes internos de estilo <i>clean</i>. Por isso, o cantinho da sala da casa projetada pelo engenheiro civil Rogério Gomes, da capital fluminense, ganhou um grande exemplar de palmeira

A vegetação agrega cor e aconchego aos ambientes internos de estilo clean. Por isso, o cantinho da sala da casa projetada pelo engenheiro civil Rogério Gomes, da capital fluminense, ganhou um grande exemplar de palmeira
O grande pândano com sua forma escultural se integrou perfeitamente à sala de estilo despojado, destacando-se ainda mais com a iluminação direcionada. Projeto do arquiteto Alfredo Kobbaz, de Pindamonhangaba, SP

O grande pândano com sua forma escultural se integrou perfeitamente à sala de estilo despojado, destacando-se ainda mais com a iluminação direcionada. Projeto do arquiteto Alfredo Kobbaz, de Pindamonhangaba, SP

Vaso ILUMINADO !


VASO E LEUCHTE
Na maioria dos casos uma planta é cultivada em um vaso de plantas, a sua baixa estatura é controlada e o espaço permitido. O projecto está sondando possíveis barreiras e analisar o quanto uma planta pode ser influenciado, mas continuam a ser “natural”. Uma luz fábrica de vidro é o resultado de combinações excepcionais e materiais estranhos. A natureza é apresentada artifcially, que vive sendo usado como material e labora-tório estética é trazido para a sala de estar.   ( colaboração: dua   www.dua-collection.com    fotos © Jan Köhler )