Trilha das Ruínas, em Guarujá, reúne preciosidades da história do litoral

Ruínas da Igreja Ermida do Guaimbê, do século XVI, estão na trilha.
Caminho dá acesso à três praias de Guarujá, no litoral de São Paulo.

Anna Gabriela Ribeiro
Trilha das Ruínas conserva uma das áreas mais preservadas da Mata Atlântica (Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1)Trilha das Ruínas conserva uma área preservadas da Mata Atlântica (Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1)
Observar as ruínas de uma das primeiras igrejas do Brasil, em meio à área preservada da Mata Atlântica, é um dos passeios possíveis para quem visita ou mora em Guarujá, no litoral de São Paulo. A Trilha das Ruínas reúne história, natureza e aventura em um caminho que dá acesso às mais belas e inóspitas praias da cidade.
O acesso para a trilha é feito pela Rodovia Ariovaldo de Almeida Viana e, ainda no percurso de carro, o visual já é surpreendente, com bastante vegetação em torno da estrada. Para quem parte do Centro de Guarujá, a rota leva cerca de 40 minutos pela estrada, que também é conhecida como SP-61 Guarujá-Bertioga.
Ao chegar no local de onde parte a balsa para Bertioga, cidade vizinha, o visitante deve deixar o carro estacionado, colocar tênis e roupas confortáveis para iniciar a Trilha das Ruínas, que tem acesso gratuito. É possível fazer a trilha sem orientação, porém, o ideal é contar com a ajuda de um guia, que além de auxiliar no percurso pode narrar as curiosidades ambientais e históricas do lugar.
Caminho de pedras é alternativa (Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1)Caminho de pedras é alternativa
(Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1)
A trilha está entre uma das áreas mais preservadas de Mata Atlântica e, em certos pontos, proporciona a visão do mar de Bertioga. Durante a caminhada, pode-se observar diversas espécies de pássaros, muitas borboletas de cores variadas e esquilos que se aventuram de árvore em árvore em busca de comida. Eles, por exemplo, já não se intimidam com os flashes das máquinas fotográficas.
Para biólogos e interessados em observar a natureza, o material de estudo é vasto. De acordo com moradores locais, há Bromélias, Manacá da Serra, pé de jaca e plantas medicinais. A caminhada dura cerca de meia hora, mas com as paradas para se fazer estudo do meio, pode render até uma hora.
No meio do percurso da Trilha das Ruínas estão as ruínas da Igreja Ermida do Guaibê, construída no século XVI. Segundo a coordenadora do grupo de monitores da Prainha Branca, Claudenice Oliveira Almeida, há um estudo que visa comprovar se esta foi a primeira igreja do Brasil. Ela conta que Padre Anchieta usava o local para catequizar os índios. A pia onde eram realizados os batismos ainda está intacta entre as ruínas. “As pessoas que visitam aqui gostam de pegar um pouquinho desta água da pia de batismo e levam para casa. Cada um tem a sua fé”, afirma Claudenice.
Caminho de pedras é alternativa  (Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1)Trilha fica a 40 minutos do Centro de Guarujá
(Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1)
A coordenadora conta que sua mãe, na década de 50, ainda teve a oportunidade de frequentar missas nesta igreja. “Não faz tanto tempo que o lugar virou ruína. Meus pais e moradores da comunidade Prainha realizaram missas e batismos nesta igreja. Uma pena ver nossa história destruída. O local ainda podia estar preservado”, diz Claudenice.
A construção da Igreja Ermida do Guaibê é de pedra com sambaquis e óleo de baleia com conchas. Já os arcos da igreja se mantém intactos proporcionando uma visão da antiga estrutura do local. O local é ideal para estudiosos, arquitetos ou curiosos sobre a história do Brasil. Uma escadaria de pedras dá acesso às ruínas, que mesmo tomada por plantas e limos, ainda mantém a energia do lugar.
A trilha tem dois caminhos distintos, um de terra batida e outro feito de pedras, que é considerado mais fácil. Este caminho de pedras foi construído há seis anos para atender aos moradores da comunidade Praia Branca, que só conseguem chegar em suas casas através da Trilha das Ruínas. A trilha dá acesso às praias Branca, Preta e Camburi. E o que para muitos é um passeio diferente, para centenas de pessoas a íngreme caminhada faz parte da rotina diária para voltar para casa.
Ruínas da Igreja onde Padre Anchieta catequizava índios no século XVI (Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1)Ruínas da Igreja onde Padre Anchieta catequizava índios no século XVI (Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1

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